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quinta-feira, 23 de agosto de 2012

Mensagem do Dia - Liberdade de Escolha


A discussão de hoje é sobre nossa liberdade de escolha.

Segundo a literatura de Narcóticos Anônimos (NA), “Antes de ficarmos limpos, a maior parte de nossas ações eram guiadas por impulsos” (p. 98. Texto Básico)

A ideia de impulso é resultado, em grande medida, da experiência com cachorros de Pavlov e sua teoria de que estamos condicionados a reagir de determinada maneira a um estímulo ou impulso específico, assim como está, principalmente, associada à Psicologia Comportamental ou Behaviorista.

Impulso pode ser definido como um estímulo que possui força suficiente para nos levar a fazer determinada ação. Eles podem ser básicos ou primários e adquiridos ou secundários. Nosso passado nos leva a acreditar que, durante nossa ativa, muitas, senão a totalidade de nossas atitudes era determinada por impulsos.

Há um princípio que lembra que todas as coisas são criadas duas vezes, podemos chamá-lo de princípio da dupla criação. Segundo ele, a primeira criação é uma criação mental e a segunda, uma criação física. Podemos compará-lo à construção de uma casa. Primeiro, imaginamos o tipo de residência que queremos, depois transformamos nossa ideia em uma planta, planejamos a construção e só então damos início. Não idealizar nossa casa, por exemplo, pode ser muito arriscado, principalmente do ponto de vista financeiro, porque provavelmente serão muitas as modificações que decidiremos fazer.

De forma geral, em nossas vidas, não se preocupar com a primeira criação ou o planejamento implica, necessariamente, entregar a outras pessoas, circunstâncias, condições, entre outros, a possibilidade de determinarem nossos comportamentos. Durante nossa ativa, era o que acontecia, principalmente em relação às drogas. E as conseqüências deste tipo de omissão são geral e notadamente desastrosas.

Eram muito grandes nossas dificuldades para tomar decisões não somente em razão de obsessões e compulsões, mas também porque assim estaríamos assumindo responsabilidades e, por conseqüências, eventuais irresponsabilidades. Isto nos assustava. Por outro lado, o determinismo, os ressentimentos, entre outros fatores negativos, tinham peso muito expressivo em nossos comportamentos.

Em recuperação, começamos a descobrir que entre qualquer estímulo e resposta há sempre um espaço chamado liberdade de escolha. Ele pode ser relativamente pequeno, mas sempre existirá. Usamos nossa autoconsciência, ou seja, pensamos sobre os nossos pensamentos, sentimentos e comportamentos, submetemos nossas vontades à consciência do que é certo ou errado, podemos isolar quaisquer influências e decidir com independência, assim como imaginar possíveis escolhas e, principalmente, suas conseqüências. Embora não possamos controlar os resultados de nossas ações, podemos prevê-los e assim fazer escolhas mais prudentes e responsáveis.

Percebemos que independentemente das influências que sofremos em nossas vidas, nosso futuro depende de nossas escolhas, da iniciativa e responsabilidade em relação a elas, o que podemos chamar de proatividade. Segundo a literatura de NA, não somos culpados por nossa doença, mas somos responsáveis por nossa recuperação.

Notadamente, uma nova consciência é indispensável para boas escolhas. Podemos consegui-la restaurando alguns princípios espirituais básicos da eficácia humana, assim como interiorizando outros. O programa de 12 passos com o despertar espiritual progressivo resultante dele é uma ferramenta poderosa para tanto. Neste sentido, a orientação de um profissional ou padrinho também pode ajudar muito.

Entretanto, toda decisão final é pessoal. Segundo o livro Minutos de Sabedoria, “Os conselhos ajudam. Mas não se esqueça de que a solução de nossos problemas está dentro de nós mesmos, na voz silenciosa de nossa consciência, que é a voz de Deus dentro de nós. Não se deixe enganar: só você será o responsável pelo caminho que escolher”.

Por fim, depois que conhecemos a liberdade de escolha torna-se inconcebível qualquer pensamento no sentido de viver sem poder escolher, abrindo mão de ser livres.

quarta-feira, 15 de agosto de 2012

Mensagem do Dia - A recuperação enguiçou


O tema de hoje é o sentimento negativo e geralmente equivocado de que nossa recuperação estacionou.

Durante a ativa, entre muitas outras, uma das características comuns a todos os dependentes químicos é a impaciência ou ausência de paciência motivada pelo imediatismo. A inobservância daquele princípio influenciou, em grande medida, nossos comportamentos e nossas vidas de forma geral.

Quando conseguíamos algum emprego, esperar por adquirir experiência, aprender as particularidades da organização, se qualificar, entre outros, era muito desconfortante levando-nos, muitas vezes, a procurar outro emprego motivados pela idéia de que não éramos reconhecidos.

Para agradar nosso ego, satisfazer nossa procura incessante por prazer e chamar a atenção das outras pessoas, procurávamos um relacionamento com alguém que, em razão de algum atributo como beleza, dinheiro, bens, entre outros, nos oferecesse um hipotético status social. Entretanto nossa impaciência se incomodava com a arte da conquista fazendo com que muitas vezes pagássemos por prazer e companhia.

De forma geral, os esforços eram pesadelos, lembrando também do papel que possuem em personalidades de código mental fixo ou permanente. Tínhamos uma grande dificuldade em aceitar o processo natural de crescimento e desenvolvimento característico da natureza, mas que se observa em todas as áreas de nossas vidas.

Quando decidimos entrar em recuperação, geralmente acreditamos que a simples abstinência de álcool e outras drogas tornariam nossas vidas perfeitas de acordo com modelos que sempre criamos. Primeiro: não existem vidas perfeitas. Segundo: há que se observar a lei do processo natural, assim como a da semeadura ou colheita.

Usamos drogas durante muito tempo. Muitas foram as conseqüências físicas desta relação como, por exemplo, disfunções orgânicas e fisiológicas, mentais, entre outras. Por exemplo, é natural que dependentes químicos desenvolvam transtornos de ansiedade como patologias psíquicas. Quando ficamos abstinentes, esperamos que desapareçam imediatamente sem quaisquer tratamentos psicológicos.

Da mesma maneira, esperamos ser pessoas mais qualificadas com novos conhecimentos, princípios, personalidade, idéias, entre outros, sem qualquer manutenção do ponto de vista mental, sem leituras, estudo, entre outros.

Pensamos que sem a prática dos passos e/ou alguma outra ferramenta eficaz poderemos desenvolver nossa espiritualidade, esquecendo que o despertar espiritual é progressivo e contínuo.

Muitas vezes em atitudes ainda negativas na medida em que continuamos procurando aprovação e estabelecendo como condição para nossa felicidade e sucesso variáveis exteriores, acreditamos que a sociedade nos acolherá simplesmente em razão da abstinência.

Assim como ficamos decepcionados com a continuidade de nossas inabilidades emocionais, nossos pensamentos destrutivos, comportamentos inadequados e com demora para conquistar bens materiais que desejamos.

Tudo isto pode nos dar a impressão que nossa recuperação não está progredindo, em alguns casos até regredindo. Entretanto, se olharmos com honestidade para nosso passado e utilizarmos, por exemplo, a poderosa ferramenta da lista de gratidões, perceberemos que a recuperação tem nos dado, aos poucos, muito mais do que esperávamos.

Muitas vezes este tipo de sentimento pode ser resultante da complacência, alguma influência pontual como um erro, um sentimento negativo, expectativa não atendida, entre outros, que, de acordo com a percepção seletiva, nos faz acreditar que a recuperação não avançou, assim como a rotina, se não receber a atenção necessária no sentido, por exemplo, da realização de atividades menos rotineiras, mais criativas e que nos dê alguma satisfação, pode ter, também, um peso muito grande sobre este tipo de sensação.

Não podemos esquecer que a formação de nossa personalidade adictiva é resultado de um processo que levou muitos. Dependendo de sua idade, foram mais alguns ou muitos anos reproduzindo este tipo de padrão. Não faz sentido acreditar que sem trabalho, esforço, dedicação e recuperação seremos pessoas diferentes.

Por fim, a literatura de Narcóticos Anônimos (NA) lembra que “crescimento não é resultado de um desejo, é resultado de ação(...)”. Precisamos tomar a iniciativa, assumir responsabilidades e colocar este programa em prática.

quarta-feira, 1 de agosto de 2012

Mensagem do dia - Culpa


Nossa reflexão de hoje é sobre os sentimentos, particularmente o de culpa. Segundo a literatura de Narcóticos Anônimos, “é um dos obstáculos mais comuns que encontramos em nossa recuperação” e um dos mais graves.
                
Podemos subdividir a culpa em duas: aquela que colocamos ou transferimos para as outras pessoas – que chamaremos de ressentimentos – e aquela que sentimos em relação a nós – que vamos denominar como culpa mesmo.
                
No caso dos ressentimentos, geralmente são resultado de um pensamento determinista e da dificuldade em assumir responsabilidades. Projetamos este tipo de pensamento nas outras pessoas e situações.
                
Notadamente, sofremos influências genéticas, psicológicas e ambientais. Entretanto, racionalizamos que o DNA de nossas gerações anteriores, a educação que recebemos de nossos pais e o ambiente, circunstâncias e condições que vivemos são culpados pelo nosso comportamento. Estamos condicionados e impedidos de agir diferentemente.
                
Acreditar no determinismo pressupõe reconhecer a ausência da liberdade de escolha e, por conseqüência, das responsabilidades. Assumir responsabilidades implica, por outro lado, assumir irresponsabilidades. Tornamo-nos pessoas reativas. Ao invés de procurar alternativas, acreditamos que não há nada que possamos fazer.
                
É verdade que algumas vezes nos magoamos com algumas pessoas. Entretanto, este tipo de sentimento está associado ao não cumprimento de nossas exigências e expectativas elevadas em relação aos outros, de nossa intolerância com os outros que na verdade é o reflexo da dificuldade em perdoar a nós mesmos.
                
Com relação à culpa propriamente, ela pode ser real ou imaginária. Se real, é resultado do que fizemos em função de drogas ou continuamos fazendo em razão de nossa personalidade. Se imaginária, creditamos a nós a responsabilidade por conseqüências oriundas de algumas situações.
                
De qualquer maneira, há que se fazer uma intervenção cognitiva de forma a reconhecer que alguns comportamentos foram resultados de nossa obsessão por substâncias psicoativas (SPA) e foram reparados direta ou indiretamente, assim como identificar pensamentos destrutivos e perceber outras forças agindo em situações em que imaginamos que as conseqüências são nossa culpa. Além de que, agora abstinente de drogas, recuperamos nossa liberdade e podemos escolher de acordo com uma nova consciência e mesmo errando, vamos encarar o erro como um aprendizado e não como fracasso.
                
Neste sentido, é preciso humildade para reconhecer que não somos o gigante que pensávamos, mas também não somos o anão que temíamos. Somos seres humanos e os desafios fazem parte do aprendizado.
                
Assim também conseguiremos perdoar as pessoas, evitar ressentimentos, sair da auto-obsessão e diminuir os sentimentos de raiva e ira.
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