Nossa reflexão de hoje é sobre as conseqüências da “drogadicção”
em relação ao processo de manifestação humana, em particular sobre os pensamentos.
As experiências científicas apontam para notável
relativismo no que se refere às causas da dependência química. As pessoas
sofrem influências genéticas, psicológicas e ambientais. Pode envolver pré-disposição
presentes no DNA. Situações, circunstâncias, condições e sentimentos vivenciados
durante o processo de formação. Assim como, o ambiente relacionado a este
processo.
Partindo desta premissa, o programa de 12 Passos de
Narcóticos Anônimos (NA) não estuda as causas da doença. No máximo, reúne
várias experiências de companheiros em recuperação e descobre como a drogadicção
os afeta de forma geral.
Uma destas descobertas se refere ao padrão de
comportamento ou personalidade chamado pela ciência de Transtorno
Obsessivo-Compulsivo (TOC). Segundo o psiquiatra Aristides Volpato, “O TOC é um transtorno psiquiátrico bastante
comum, que se caracteriza pela presença de obsessões e/ou compulsões,
suficientemente severas para ocupar boa parte do tempo do paciente, causando
desconforto e comprometendo seu desempenho profissional e seus relacionamentos
interpessoais. Pode ser leve ou severo o suficiente para incapacitar seus portadores
(...). Como não conseguem controlar-se e evitá-los, interpretam tal necessidade
como ‘mania’, uma espécie de loucura, fraqueza, desvio da conduta ou perversão,
o que aumenta a autocrítica e os sentimentos de culpa”.
Na mesma linha, seu colega de profissão, Viktor
Frankl, escreveu que “Um dado sintoma
ocasiona a fobia, a fobia provoca o sintoma e o sintoma, por sua vez, reforça a
fobia. Uma cadeia como essa pode ser observada em casos obsessivo-compulsivos,
nos quais o paciente combate as idéias que o perseguem. Desta forma, porém, ele
aumenta o poder que ela tem de perturbá-lo, uma vez que pressão provoca contrapressão
e mais uma vez é reforçado o sintoma.”
No caso do dependente químico, as obsessões não se
limitam às drogas. O livro de NA “Isto Resulta” (pp.06/07) lembra que “a
obsessão e a compulsão são aqui tratadas no aspecto em que se relacionam com o
nosso uso de drogas, pois é através da nossa adicção a drogas que nos
identificamos uns com os outros quando chegamos pela primeira vez ao programa. À
medida que a nossa recuperação avança, verificamos como estes aspectos também
podem se manifestar em muitas outras áreas da nossa vida.”
A obsessão pode ser definida como um conjunto de
pensamentos fixos sobre alguma coisa sendo muito difícil afastar-se destes
pensamentos.
Por outro lado, a compulsão é como que um impulso
animal descontrolado e sem considerar as conseqüências.
É comum muitas pessoas acreditarem que neste
momento há uma quebra do processo natural de manifestação em que agora
sentimos, não pensamos e agimos impulsionados pelas emoções. Na verdade, nada
muda. Acontece que estes pensamentos geralmente são automáticos, inconscientes e
disfuncionais e não passam por nenhum processo de reestruturação consciente ou
reflexão em razão das obsessões.
Estas obsessões criam convicções e/ou pensamentos completamente
exigentes, negativos, egoístas e destrutivos. Com isso, a compreensão da
realidade fica exageradamente distorcida. Geralmente, são estas as razões de
sentimentos como raiva, vergonha, medo, entre outros e, por conseqüência de
comportamentos muito inadequados.
As soluções passam, de um lado, por procurar
profissionais que através de ferramentas como a Terapia
Cognitivo-Comportamental irão ajudá-lo a repensar estas convicções e comportamentos,
assim como por um processo de restauração da espiritualidade através do
programa de Narcóticos Anônimos (NA).
O vazio espiritual e o egocentrismo criaram valores negativos como a mentira, superioridade, desconfiança, egoísmo, manipulação, interesse, esperteza,
ausência de empatia, entre outros. Por mais que se procurasse pensar no momento de tomar
uma decisão, a consciência era extremamente negativa.
Em recuperação, começamos a abandonar estes valores
e restaurar princípios espirituais, assim como interiorizar outros como, por
exemplo, a honestidade, mente aberta, compromisso, empatia, amor incondicional, aceitação, auto-aceitação,
humildade, propósito, entre outros, que são fundamentais para os novos
resultados que esperamos para nossa vida. São estes que farão parte de uma nova consciência, que servirão de base para a tomada de decisões.
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