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segunda-feira, 27 de agosto de 2012

Mensagem do Dia - Abstinência e Reestruturação


Nossa reflexão de hoje é sobre a abstinência como condição para a recuperação, assim como o papel desta na transformação do dependente.

Mesmo na ativa, ou seja, fazendo uso de substâncias psicoativas (PSA) ou drogas recreativas que alteram a mente, acreditamos que se o dependente químico fosse questionado sobre as motivações que o levam a usar, com exceção de casos extremos de obsessão e compulsão, provavelmente a maioria saberia responder: influência, status, para se sentir parte de grupos, prazer, sensação de superioridade, anestesiar sentimentos, obsessão, compulsão, entre muitos outros.

Por outro lado, pensamos que o reconhecimento dos perigos parece um pouco mais difícil ou então mesmo reconhecendo-os perdeu a possibilidade de escolher ou não acredita que algo ruim pode acontecer com ele.

Em recuperação, provavelmente todos chegamos à conclusão de que estávamos seguindo o caminho da morte e autodestruição. Conforme sugere a literatura de Narcóticos Anônimos (NA), comprávamos nossa destruição às prestações.

Entretanto, não se tratava apenas de um processo que se desenvolvia e naturalmente conduziria à morte. Os riscos que envolviam o uso, as pessoas com as quais nos relacionávamos, os ambientes sociais que freqüentávamos, as situações de perigo em que nos envolvíamos eram ameaças muito presentes em relação à morte que poderia acontecer a qualquer momento.

Com o desenvolvimento de nossa recuperação, descobrimos que mesmo sem drogas não tínhamos aprendido a viver, ou seja, nossa personalidade adictiva se estendia a quase todas as áreas de nossas vidas. De forma geral, nossos pensamentos e convicções são automáticos negativos, destrutivos, exigentes e egoístas, não temos habilidade para lidar com as emoções e nossos comportamentos, por conseqüência, são inadequados.

Por isso, a primeira condição para a mudança é a abstinência. Sem ela conseguiremos fazer muito pouco em favor da nossa recuperação, principalmente considerando quão condicionadas podem estar nossas ações. Provavelmente passaremos ainda por muitas situações que nos levaram a usar, entretanto é preciso que assumamos nosso compromisso com a recuperação. Neste caso, é fundamental lembrar-se de onde viemos e daquilo que fazia parte de nossa ativa, principalmente do ponto de vista espiritual, assim como onde poderemos terminar.

A abstinência é uma condição necessária, mas não é suficiente. Considerando nossa personalidade, precisamos de uma revisão detalhada do nosso conjunto de valores e, principalmente, uma reforma íntima completa de forma geral. Restaurar alguns princípios espirituais naturais e responsáveis pela eficácia humana é fundamental, assim como interiorizar muitos outros. Estes serão responsáveis por uma nova consciência que será consultada no momento de nossas decisões. Da mesma maneira, intervenções cognitivas no sentido de reestruturar aqueles pensamentos e comportamentais no sentido de ter estratégias para situações específicas podem dar muitos resultados.

Todavia, este trabalho deve ser constante. Tem que se tornar um hábito. Costumamos lembrar que nossa personalidade e padrões de comportamento levam muitos anos até sua formação. Mudá-los, da mesma maneira, exigirá muita dedicação, determinação e disciplina.

segunda-feira, 13 de agosto de 2012

Mensagem do Dia - Dificuldades nos Relacionamentos


Nosso tema de hoje é sobre as dificuldades que eventualmente encontramos em nossos relacionamentos cotidianos.

Durante nossa adicção ativa, tínhamos muito medo da rejeição. Em razão do nosso consumo de drogas, daquilo que a obsessão por drogas nos levou a fazer como, por exemplo, mentir, manipular, furtar, roubar, entre outros desvios de comportamento, pensávamos que se as pessoas nos conhecessem, imediatamente se afastariam.  Mesmo no caso de outros dependentes em recuperação, acreditávamos que nenhum deles fizera o que fizemos.

As experiências sociais que tínhamos, que geralmente se limitavam a usuários de drogas, traficantes, entre outros, bem como considerando as atitudes que costumávamos ter nos impediam de confiar nas outras pessoas.

Estes fatores nos levaram ao isolamento.

Com a abstinência e a recuperação, naturalmente começamos a nos reaproximar das pessoas. Em alguns relacionamentos como, por exemplo, no trabalho, no grupo, na escola, entre outros lugares, poderemos encontrar algumas dificuldades, alguns conflitos.

A primeira coisa que devemos fazer é um exercício de auto-avaliação, olhar para dentro de nós e procurar qual a parcela que temos em relação à qualidade do relacionamento.

Sabemos que mesmo em recuperação, é comum a criação de modelos perfeitos de nossa parte. Por exemplo, criamos modelos perfeitos de pais, mães, namorados, namoradas, amigos, de nós mesmos, inclusive de relacionamentos. Esses modelos incluem expectativas muito elevadas e irreais que geralmente são responsáveis por algumas de nossas frustrações e intolerâncias. Ressentimentos indicam a dificuldade para perdoar nós mesmos. Além de que pode acontecer que os comportamentos que mais estão nos incomodando nas outras pessoas sejam aqueles que não conseguimos nos livrar.

Feito isto, é fundamental a prática da empatia, que nos coloquemos no lugar dos outros. Nosso egocentrismo geralmente nos impede de preocupar-se com as outras pessoas. Temos a ideia de que os outros vivem em nossa função. Nós somos o centro e o restante, a periferia. Muitas vezes, a pessoa não está em um dia legal em virtude de forças que não possuem quaisquer relações conosco. Precisamos entender isto. Assim como, em outras situações, aceitar que como nós um dia, as pessoas estão trabalhando no sentido de remover seus defeitos.

A partir destas considerações, o que podemos fazer? A literatura de Narcóticos Anônimos (NA) lembra que não nos tornaremos pessoas melhores julgando os erros dos outros. Podemos orar pedindo ajuda ao Poder Superior e principalmente praticar o princípio do amor incondicional. Aplicando a regra de ouro, vamos tratar as pessoas como gostaríamos de ser tratados, independentemente que qualquer coisa. Procuraremos resolver os conflitos que surgirem e não usar um erro ou dificuldade para estereotipar alguém ou definir sua personalidade.

A partir do momento que decidirmos dispensar um tratamento mais amoroso aos outros, é este tipo de tratamento que receberemos. 

domingo, 12 de agosto de 2012

Mensagem do Dia - Despertar Primário


Hoje falaremos sobre o despertar espiritual e o primeiro passo de Narcóticos Anônimos (NA) em geral.

Antes do despertar espiritual, que logo explicaremos o significado e suas causas, do reconhecimento de que tínhamos problemas com drogas e da decisão de abandoná-las, algumas características eram comuns a todos nós.

Estávamos submersos em um processo denominado negação em que buscávamos provar para nós mesmos e para os outros que não éramos dependentes químicos. Racionalizamos no sentido de que conseguíamos ficar algum tempo sem usar drogas, que o modelo social de dependente estava muito distante de nós. Justificamos que nossos problemas eram exteriores e caso mudássemos de amigos, emprego, escola, universidade, cidade, deixássemos de morar com nossa família, entre outras coisas, nossas  vidas iriam melhorar. Tentamos somente beber e/ou usar drogas mais fracas, usar com pessoas diferentes, somente em algumas situações, ficar abstinente por um tempo para depois controlar, mas nada deu certo.

Por outro lado, em razão do nosso medo de rejeição, assim como da nossa insana preocupação em agradar os outros, criamos uma personalidade para apresentar às pessoas quando não estivéssemos isolados. Vestimos máscaras com medo de que as pessoas pudessem descobrir que usávamos drogas, o que fazíamos para consegui-las, que éramos fracassados porque nossos sonhos tinham a droga como limite, que éramos egoístas, entre outros, enfim, a verdade sobre nós e nossa doença.

Entretanto, chegamos em um momento que o descontrole e/ou sofrimento são tão grandes que não conseguimos mais disfarçar. Mesmo que alguns AINDA não tenham perdido bens materiais, amigos, família, emprego, vida social, entre outras coisas, encontraram o fundo de poço espiritual e emocional. É aqui que começamos a reconhecer nossa doença e pedir ajuda.

Descobrimos que não podemos controlar o consumo de quaisquer substâncias psicoativas (SPA), mesmo o álcool. Que ela nos afeta física (compulsão, descontrole, agir sem considerar as conseqüências), mental (obsessão/pensamentos fixos), espiritual (egocentrismo e vazio espiritual), social (isolamento) e emocionalmente (inabilidades). Que é progressiva (em razão da tolerância de nosso organismo que aumenta com o consumo), incurável (em razão de nossas memórias, principalmente aquela que experimenta uma carga sem precedentes de dopamina oferecendo prazer e euforia) e fatal caso não seja interrompida. Começamos a refletir como e quais áreas de nossas vidas foram afetadas.

Com a abstinência, descobrimos, também, que temos inabilidades mesmo sem drogas. Nossos pensamentos costumam seguir um padrão obsessivo com pensamentos automáticos, erros cognitivos, esquemas mal adaptativos, influenciando nossas emoções com as quais não conseguimos lidar e comportamentos que não conseguimos controlar. Somos transtornados.

Todavia, admitindo nossa impotência, não somente em relação às drogas, mas principalmente em relação a nós mesmos, como funcionamos, abrimos caminho para a mudança. Este é considerado o paradoxo do primeiro passo. Admitimos a derrota para vencer. Não precisamos mais entrar no ringue. Não precisamos mais lutar para provar que podemos controlar e/ou não somos adictos.

Este processo chama-se rendição. Ele inicia-se com a admissão da impotência e descontrole, passa pelo abandono de reservas ou restrições em relação ao programa de 12 passos e termina, tratando-se do passo um, com a aceitação de que a recuperação é a solução para uma nova maneira de viver.

O determinismo, tanto genético quanto psíquico e ambiental, pode nos levar a acreditar que não há nada que possamos fazer. Aquilo que está em nosso DNA, assim como as experiências que vivemos durante nossa formação já condicionaram nosso comportamento e, portanto, não temos outra escolha. Mas, na verdade, somos autodeterminados, nós decidimos o que fazer.

É certo que, em razão de nossas expressivas dificuldades, não conseguiremos sozinhos, mas é empiricamente possível com a ajuda da programação, de profissionais, da autodisciplina e determinação, entre outros.

O Primeiro Passo é o passo mais importante porque decidimos viver, assim como é um passo de muita ação. Segundo um ditado chinês, “uma jornada de mil quilômetros começa com o primeiro passo”. É preciso muita iniciativa para dá-lo. O despertar primário pode ser considerado um estimulante, incentivador, a condição fundamental. Mas é preciso ter atitude.

sexta-feira, 10 de agosto de 2012

Mensagem do Dia - Contato Consciente com Deus


Nosso tema de hoje é sobre o contato consciente com o Poder Superior.

Durante nossa ativa, desenvolvemos uma dependência muito grande em relação às drogas e à adicção de forma geral, uma força negativa, destrutiva e muito maior que nós. Em razão da obsessão e compulsão por drogas, respectivamente do ponto de vista mental e físico e, por conseqüência, do egocentrismo e valores que desenvolvemos a partir dele como desonestidade, manipulação, mentiras, egoísmo, entre outros, chegamos a Narcóticos Anônimos (NA) com o que podemos chamar de completo “vazio espiritual”.

Em razão desta ausência de espiritualidade e fé, não conseguíamos confiar em qualquer Poder Superior, tínhamos medo do futuro, uma característica da auto-obsessão, principalmente porque nossas experiências passadas eram a expressão do fracasso. Nossos sonhos tinham um limite intransponível: as drogas.

Não era muito comum fazermos orações ou falar com Deus, exceto em situações de risco ou quando sentíamos muita dor. Por exemplo, na iminência de ser descoberto e preso pela polícia ou em um estado bastante depressivo pós-uso.

Durante o processo de negação, é comum acreditarmos que nossas necessidades são, por exemplo, financeiras, mudança de bairro ou cidade, outro emprego, amigos, distância da família, entre outras, porque assim justificamos. Todavia, não demora muito para descobrirmos que nossa verdadeira necessidade é de orientação espiritual.

Estávamos notadamente falidos do ponto de vista espiritual. Nossa vida fazia quase nenhum sentido.

Com a rendição que se iniciou no 1º passo, admitimos nossa impotência em relação às drogas e à adicção de forma geral – que nossos pensamentos eram automáticos e destrutivos, não conseguíamos lidar com nossos sentimentos e, por conseqüência, nossos comportamentos eram desastrosos  – , abandonamos as reservas e aceitamos a recuperação como solução para nossas vidas, assim como que agora precisamos assumir as responsabilidades por fazer diferente. Entretanto, continuamos impotentes. Mas o programa nos diz que um Poder maior do que nós e que a nossa doença pode devolver-nos à sanidade. Então começamos a questionar qual a vontade deste Poder em relação a nós.

A vontade deste Poder é uma vida baseada nos princípios espirituais. Cada passo possui um conjunto de princípios e é através daquele que desenvolvemos, progressivamente, o tão almejado despertar espiritual, uma nova consciência.

Este Poder Superior, aos poucos, vai libertando-nos da obsessão, da compulsão, dos defeitos ou desvios de comportamento na medida em que nos dá coragem para reconhecê-los e orientação para mudá-los. Não lutamos mais contra eles e, assim, não são mais alimentados.

Entretanto, esta orientação é conquistada com um relacionamento de mão dupla. Como todo relacionamento, deve ser baseado na confiança, no cumprimento de compromissos pré-estabelecidos, em pedidos que não se resumem a interesses egoístas, praticando, sobretudo, a honestidade.

É de mão dupla porque falamos com Ele através da oração e “escutamos” através da meditação. Escutar, neste sentido, é restaurar e/ou interiorizar os princípios de forma a conseguir reestruturar os pensamentos automáticos e mal adaptativos, controlar as emoções, entre outros.

Ainda assim, haverá momentos em que teremos algum desejo e/ou dúvida e submetê-lo aos princípios pode não ser suficiente. Por exemplo, recebemos uma proposta de emprego e não sabemos se aceitamos ou não. Neste caso, a intuição é a expressão da orientação divina. Em 2005, quando Steve Jobs já doente discursou para os alunos de Stanford, ele disse que temos de ter coragem de seguir nosso coração e intuição. Pessoas com espiritualidade desenvolvida certamente estarão tomando a decisão mais acertada.

Por fim, não podemos esquecer que o Poder Superior faz a parte dele. Simplesmente pedir orientação não resolve. É preciso iniciativa. Pedir um emprego para Deus sem ao menos um currículo é uma grande ilusão.

terça-feira, 7 de agosto de 2012

Mensagem do dia - Gratidão


Nossa reflexão de hoje é sobre a gratidão.

Ela pode ser definida como o ato ou sentimento de reconhecimento por alguém ou alguma coisa.

É muito fácil sentir gratidão quando as coisas estão indo bem em nossas vidas. Quando conseguimos um bom emprego, recebemos uma promoção ou aumento de salário, quando recebemos um presente, quando atingimos determinado objetivo ou sonho (material ou não), quando recebemos elogios, quando encontramos um(a) namorado (a) legal, entre outros, a tendência é de que fiquemos muito gratos.

Aprendemos que o dependente químico, de forma geral, desenvolve um tipo de personalidade em que acredita na teoria da determinação, que aquilo que somos não pode ser modificado, que nossas características são imutáveis, o chamado código mental fixo ou permanente.  Sendo assim, precisamos provar aos outros e, principalmente, a nós mesmos que aquilo que temos, nossa inteligência, talento, entre outros é o suficiente para que sejamos melhores que os outros, ou seja, para que tenhamos sucesso.

Neste sentido, emprego, promoção, aumento, metas alcançadas, entre outros, seriam a comprovação de que realmente somos pessoas de sucesso, assim como é a razão pela qual as pessoas se aproximem e gostem de nós.

Por outro lado, qualquer contratempo, erro, demora, dificuldade ou problema, neste caso, é motivo para nossa ingratidão. Notadamente, em razão de nosso código mental, estas situações estariam nos enviando mensagens de que fracassamos, desconstruindo aquela imagem superior que criamos de nós mesmos.

Com isso, retornamos ao sentimento de autopiedade, um padrão característico da ativa. Voltamos a ter aqueles mesmos pensamentos negativos, destrutivos e egocêntricos de que o mundo é injusto para conosco.

Retomando atitudes negativas, geralmente temos dificuldades para assumir responsabilidades porque ao fazê-lo somos obrigados a assumir também as irresponsabilidades e voltamos a culpar as pessoas por tudo aquilo que não é “bom” para nós e que tem acontecido em nossas vidas. Ficamos ressentidos com os outros e voltamos a tomar o “veneno” da raiva esperando que o outro morra. Ficamos intolerantes com as pessoas. Desconfiamos, inclusive, de nosso relacionamento com o Poder Superior, que Ele não estaria sendo justo conosco. Começamos abandonar a irmandade, entre outras coisas.

Por outro lado, aprendemos, também, que nossa percepção é seletiva. A percepção pode ser definida como o processo pelo qual cada indivíduo seleciona, organiza e dá um sentido ao mundo que o rodeia. Ela é seletiva porque cada um escolhe os objetos ou estímulos de acordo com seus padrões de referência.

Grosso modo, poderíamos dizer que a percepção seletiva acontece porque achamos aquilo que procuramos. Ou seja, se procurarmos desvios e/ou inadequações em pessoas aparentemente corretas, acharemos aquilo que procuramos. Assim como se procurarmos qualidades em pessoas que aparentemente são a expressão da inadequação, certamente também acharemos.

Isso também pode acontecer com nossa atenção e memória na medida em que passamos por uma situação triste e nossa mente busca outras também tristes. A ciência chama isto de espiral depressiva ou decrescente. Se prestarmos atenção naquilo que não está bem, provavelmente tudo estará mal. Por isso, a recuperação também é um estado mental.

Uma ferramenta bastante eficaz para mudar este estado mental é fazer uma lista de gratidões. Nesta lista podemos incluir as pessoas que nos amam, que nos apóiam, que nos ajudam sem esperar qualquer coisa em troca, os companheiros de NA, a programação de 12 passos que nos proporcionou o despertar espiritual e uma nova maneira de viver. Assim como o dia que podemos desfrutar, um bom lugar para dormir, a ausência de doenças, a família maravilhosa que temos, as dádivas do Poder Superior que estamos recebendo progressivamente, tudo aquilo de bom que vem acontecendo em nossa recuperação e merece nossa gratidão.

Não ser grato por tudo isto pode nos devolver ao caminho da autodestruição. Da mesma maneira que o fato da dor da ativa e das expectativas de resultados com relação às drogas nos impulsionara para a recuperação, caso a recuperação se torne dolorosa demais, que esta dor seja maior que os momentos de alegria, pode ser um grande fator de risco para o uso ou recaída.

Por isso, só por hoje, vamos olhar para as coisas boas da recuperação e ser muito gratos por todas elas.

segunda-feira, 6 de agosto de 2012

Mensagem do Dia - Felicidade


A reflexão de hoje é sobre as razões da felicidade.

É comum o dependente químico desenvolver uma personalidade centrada em coisas exteriores que se tornam as condições de sua felicidade, sucesso, segurança, entre outros. Como exemplos para a reflexão de hoje, separamos o dinheiro e os bens materiais.

Durante a “adicção” ativa, perdemos muitas coisas, principalmente materiais. Com o principal objetivo de conseguir mais drogas ou pagar dívidas que o descontrole deixou, é comum vendermos ou trocarmos tudo que tínhamos: eletrônicos, eletrodomésticos, automóveis, casas e/ou apartamentos, roupas, calçados, jóias, entre outros.

Quando chegamos pela primeira vez a uma sala de Narcóticos Anônimos (NA), geralmente convidados por algum companheiro, é natural ficarmos muito entusiasmados com os benefícios da recuperação que os membros vêm desfrutando como carros novos, casas, celulares, tablets, notebooks, roupas e calçados descolados, jóias, entre outros, associando estes bens materiais à promessa de NA, aquilo que poderá ser conquistado caso freqüentemos um grupo.

Todavia, as promessas de recuperação se limitam à libertação da adicção ativa e uma nova maneira de viver proporcionada pelo despertar espiritual obtido progressivamente com os 12 passos.

Na medida em que buscamos educação e qualificação profissionais e desenvolvimento pessoal, é natural conquistarmos um bom emprego, assim como quando as despesas com drogas e bebidas deixam de ser maiores que a renda mensal, contarmos com recursos financeiros necessários para a compra destes bens. Entretanto, estes bens não são benefícios ou conseqüências diretas da recuperação, mas sim indiretas. Isso só é possível em virtude da transformação pessoal e espiritual.

Entretanto, é preciso muito cuidado com as escolhas. Todo momento dizemos sim e não para as coisas. Falar sim para algo implica, em geral, necessariamente falar não para outra. Neste caso, falar sim para o dinheiro e bens materiais significa necessariamente falar não para a espiritualidade. Não se trata de dizer que o dinheiro não é importante, mas ele não é o mais importante. Em recuperação, muitas vezes teremos que trocar o bom pelo ótimo.

Ou então corremos o risco de cair na armadilha descrita por Covey (2010) em que nos esforçamos demais para subir a escada do sucesso e descobrimos que a escada estava apoiada na parede errada. Iremos estabelecer alguns objetivos para nossa vida que mesmo atingidos não irão preencher nosso vazio, sacrificando aquilo que era importante e muitas vezes descobrimos isto tarde demais.

Por exemplo, tentar aliviar dores emocionais com compras é um grande erro porque mesmo que sintamos algum prazer momentâneo, nada irá mudar em relação à situação inicial.

Além disso, continuaremos a acreditar, mesmo que inconscientemente, que a mudança deve ocorrer de fora para dentro. Que os problemas estão nos outros e no exterior e, portanto, mudando eles, nossa vida certamente irá melhorar.

Por fim, a recuperação não promete dinheiro ou bens materiais, mas ela promete uma nova maneira de viver a partir do desenvolvimento de princípios espirituais e esta deve ser a razão de nossa alegria, não algo exterior. Em recuperação, a felicidade é resultado da companhia de amigos, dos familiares, da ajuda que damos aos outros sem esperar quaisquer recompensas, da confiança em nosso Poder Superior e principalmente quando descobrimos que estamos conseguindo ser honestos, humildes, tolerantes, comprometidos, ouvir a opinião dos outros, confiar e aceitar as pessoas, quando conseguimos praticar os princípios espirituais. Enfim, as razões de nossa felicidade passam a ser interiores. 

domingo, 5 de agosto de 2012

Mensagem do Dia - Pensamentos


Nossa reflexão de hoje é sobre as conseqüências da “drogadicção” em relação ao processo de manifestação humana, em particular sobre os pensamentos.

As experiências científicas apontam para notável relativismo no que se refere às causas da dependência química. As pessoas sofrem influências genéticas, psicológicas e ambientais. Pode envolver pré-disposição presentes no DNA. Situações, circunstâncias, condições e sentimentos vivenciados durante o processo de formação. Assim como, o ambiente relacionado a este processo.

Partindo desta premissa, o programa de 12 Passos de Narcóticos Anônimos (NA) não estuda as causas da doença. No máximo, reúne várias experiências de companheiros em recuperação e descobre como a drogadicção os afeta de forma geral.

Uma destas descobertas se refere ao padrão de comportamento ou personalidade chamado pela ciência de Transtorno Obsessivo-Compulsivo (TOC). Segundo o psiquiatra Aristides Volpato, “O TOC é um transtorno psiquiátrico bastante comum, que se caracteriza pela presença de obsessões e/ou compulsões, suficientemente severas para ocupar boa parte do tempo do paciente, causando desconforto e comprometendo seu desempenho profissional e seus relacionamentos interpessoais. Pode ser leve ou severo o suficiente para incapacitar seus portadores (...). Como não conseguem controlar-se e evitá-los, interpretam tal necessidade como ‘mania’, uma espécie de loucura, fraqueza, desvio da conduta ou perversão, o que aumenta a autocrítica e os sentimentos de culpa”.

Na mesma linha, seu colega de profissão, Viktor Frankl, escreveu que “Um dado sintoma ocasiona a fobia, a fobia provoca o sintoma e o sintoma, por sua vez, reforça a fobia. Uma cadeia como essa pode ser observada em casos obsessivo-compulsivos, nos quais o paciente combate as idéias que o perseguem. Desta forma, porém, ele aumenta o poder que ela tem de perturbá-lo, uma vez que pressão provoca contrapressão e mais uma vez é reforçado o sintoma.”

No caso do dependente químico, as obsessões não se limitam às drogas. O livro de NA “Isto Resulta” (pp.06/07) lembra que “a obsessão e a compulsão são aqui tratadas no aspecto em que se relacionam com o nosso uso de drogas, pois é através da nossa adicção a drogas que nos identificamos uns com os outros quando chegamos pela primeira vez ao programa. À medida que a nossa recuperação avança, verificamos como estes aspectos também podem se manifestar em muitas outras áreas da nossa vida.”

A obsessão pode ser definida como um conjunto de pensamentos fixos sobre alguma coisa sendo muito difícil afastar-se destes pensamentos.

Por outro lado, a compulsão é como que um impulso animal descontrolado e sem considerar as conseqüências.

É comum muitas pessoas acreditarem que neste momento há uma quebra do processo natural de manifestação em que agora sentimos, não pensamos e agimos impulsionados pelas emoções. Na verdade, nada muda. Acontece que estes pensamentos geralmente são automáticos, inconscientes e disfuncionais e não passam por nenhum processo de reestruturação consciente ou reflexão em razão das obsessões.

Estas obsessões criam convicções e/ou pensamentos completamente exigentes, negativos, egoístas e destrutivos. Com isso, a compreensão da realidade fica exageradamente distorcida. Geralmente, são estas as razões de sentimentos como raiva, vergonha, medo, entre outros e, por conseqüência de comportamentos muito inadequados.

As soluções passam, de um lado, por procurar profissionais que através de ferramentas como a Terapia Cognitivo-Comportamental irão ajudá-lo a repensar estas convicções e comportamentos, assim como por um processo de restauração da espiritualidade através do programa de Narcóticos Anônimos (NA).

O vazio espiritual e o egocentrismo criaram valores negativos como a mentira, superioridade, desconfiança, egoísmo, manipulação, interesse, esperteza, ausência de empatia, entre outros. Por mais que se procurasse pensar no momento de tomar uma decisão, a consciência era extremamente negativa.

Em recuperação, começamos a abandonar estes valores e restaurar princípios espirituais, assim como interiorizar outros como, por exemplo, a honestidade, mente aberta, compromisso, empatia, amor incondicional, aceitação, auto-aceitação, humildade, propósito, entre outros, que são fundamentais para os novos resultados que esperamos para nossa vida. São estes que farão parte de uma nova consciência, que servirão de base para a tomada de decisões.

sexta-feira, 3 de agosto de 2012

Mensagem do dia - Confiança


Nosso tema de hoje é confiança ou a ausência dela.

Nossa percepção da realidade depende das “lentes” que estamos usando quando olhamos para ela. Em razão de experiências passadas, assim como projetando nossa personalidade no restante da sociedade, não conseguíamos confiar nas outras pessoas durante nossa ativa.

Geralmente, as pessoas com as quais convivíamos eram dependentes químicos. Em grande medida, tinham seu comportamento determinado por drogas. Sendo assim, é natural que estas pessoas mentissem, nos manipulassem, nos furtassem, nos traíssem, nos enganassem, não se preocupassem conosco.

Por outro lado, nós não éramos diferentes. Quando nos aproximávamos de outras pessoas, geralmente éramos motivados por interesses completamente mesquinhos e egoístas como, por exemplo, drogas, dinheiro, sexo, status, entre outros. Mas procurávamos esconder nossos “defeitos”.

Por conseqüência, não conseguíamos acreditar nos outros, mesmo que o comportamento destes apontassem em um sentido mais positivo. Medíamos as pessoas conforme nossa régua. Ou seja, provavelmente também estavam vestindo máscaras.

A qualidade da recuperação depende, fundamentalmente, de confiança. É necessário confiar no programa de NA, na irmandade, nos companheiros, nos grupos, nos profissionais, entre outras.

Há que se reestruturar nossos pensamentos destrutivos e, portanto, torná-los mais claros no sentido que agora em recuperação são outras razões que tem motivado as pessoas com quem nos relacionamos. Segundo Covey (2010), “a confiança é a forma mais elevada de motivação humana. Ela traz à tona o que há de melhor nos seres humanos. Mas exige tempo e paciência (...)”.

De forma geral, temos como característica criarmos modelos perfeitos. Pensamos modelos de pais, amigos(as), namorados(as), inclusive de nós mesmos, entre outros. Isto pode acontecer mesmo em recuperação.

É preciso reconhecer que, assim como nós, as outras pessoas são seres humanos, sujeitos a erros e que estes erros, inclusive, devem funcionar como instrumentos de aprendizado. Além de que temos que aceitar que as pessoas possuem limites. Eles não são permanentes, mas são limites. Portanto, é fundamental a tolerância para com alguns erros ou atitudes negativas, sem que alguma situação pontual possa definir o fracasso da recuperação.
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